domingo, 6 de setembro de 2009


Tem gente que me pergunta como foi que enlouqueci. Foi assim: certo dia, muito antes dos deuses nascerem, acordei de um longo sono e descobri que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu tinha feito e usado em sete vidas – e saí correndo sem máscara alguma pelas ruas apinhadas de gente, gritando: - Ladrões, ladrões, malditos ladrões! Os homens e as mulheres riam, mas alguns correram pra casa com medo de mim. E, quando cheguei à praça do mercado, um jovem que estava no terraço de uma casa gritou: - É um louco! Ergui os olhos pra ele e o sol beijou meu rosto nu pela primeira vez. Pela primeira vez o sol beijou meu rosto nu e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não quis mais saber de máscaras. E gritei, como se estivesse em transe: - Abençoados, abençoados os ladrões que roubaram minhas máscaras! Foi assim que enlouqueci. E encontrei liberdade e segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aqueles que nos compreendem nos escravizam de algum modo. Mas não quero ficar orgulhoso demais de minha segurança. Nem na cadeia um ladrão está a salvo de outro ladrão. Khalil Gibran

Quando criança eu sonhava em ser atriz. Mal sabia eu que já era. Agora sonho com o fim desse teatro.

By Aline Hrasko

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